quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Saramago x Twitter

Saramago antes de morrer já deixava em seu blog(caderno.josesaramago.org) algumas prosas e comentários, que se tornaram livro a pouco tempo.E como frase póstuma gostaria de destacar um comentário feito sobre o Twitter que se segue abaixo:

SARAMAGO: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

José Saramago fala sobre Twitter, Lula e seu novo livro

As frases longas e bem elaboradas a que os leitores de José Saramago estão acostumados continuam lá, mas o ambiente é outro, justamente um que costuma pedir frases curtas, sem a necessidade de muita elaboração. Desde setembro de 2007, o escritor português, prêmio Nobel de Literatura em 1998, mantém um blog (caderno.josesaramago.org), onde comenta temas relacionados a política, literatura, religião e sociedade ou simplesmente escreve relatos sobre suas viagens, muitas ao Brasil.

Os textos estão saindo da internet e ganhando o papel, numa coletânea de sete meses de posts lançada esta semana pela Companhia das Letras sob o título de “O caderno”. Em entrevista ao GLOBO (por e-mail, como é mais apropriado ao tema), Saramago explicou o que pensa sobre a rede, revelou que um dia deve se cansar do blog e exaltou a literatura de Chico Buarque.

O GLOBO: Seu livro “O caderno” é uma coletânea de textos de seu blog. Escritores mais velhos, porém, costumam manifestar certo descaso com a internet e os blogs. Como o senhor lida com a internet? O senhor lê outros blogs? Enxerga a internet como uma possibilidade de literatura ou apenas como fonte de informação?

JOSÉ SARAMAGO: Escrever num blog não difere em nada de escrever numa folha de papel. Salvo a extensão do texto em que, no caso do blog, se aconselha uma certa brevidade, os escritores não estão condicionados por normas ou regras que, supostamente, caracterizariam o blog. Não sou frequentador assíduo da internet. Consulto o Google com frequência, nada mais. Quanto a ler outros blogs, faço-a às vezes, mas não mantenho diálogo com eles. Para mim, a internet é uma fonte de informação rápida e em geral eficaz, porém não confundamos: a literatura ou é ou não é, não há meios termos. Muitas transformações teriam de dar-se (e eu não vejo como nem quais) para que a internet tomasse lugar no fazer literário.

O senhor acha que a experiência em escrever para um blog, onde teoricamente os textos são mais curtos e diretos, teve alguma influência na sua escrita?

SARAMAGO: Nenhuma. Continuo a utilizar frases longas, das que dão espaço e tempo para observações e análises quer considero necessárias. A tão louvada clareza das sínteses é, não raro, enganosa.

E como surgem os temas para o blog? A variedade é a regra? Qualquer pensamento que o senhor tenha pode motivar um post?

SARAMAGO: Não qualquer, evidentemente. Os temas surgem com naturalidade, embora uma vez ou outra haja que esforçar-se um pouco. A minha maior preocupação é não cair na monotonia nem na previsibilidade.

O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?

SARAMAGO: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

No livro, no texto do dia 25 de novembro de 2008, o senhor revelou que jornalistas brasileiros, numa coletiva de imprensa, ficaram interessados em fazer perguntas sobre seu blog. Nele, o senhor escreve, sobre a internet: "Será que aqui, a bem dizer, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos?". O senhor diz, ainda: "Não tenho respostas, apenas constato perguntas". Um ano depois, a resposta apareceu? O senhor considera a internet um espaço democrático e verdadeiramente livre?

SARAMAGO: Nada há que seja verdadeiramente livre nem suficientemente democrático. Não tenhamos ilusões, a internet não veio para salvar o mundo.

Já em 22 de outubro de 2008, o senhor escreveu sobre o romance “Budapeste”, de Chico Buarque: “Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro”. Por que a literatura de Chico seria tão renovadora? O que o senhor pensa sobre o resto de sua obra E o senhor já leu o novo romance de Chico, "Leite derramado"?

SARAMAGO: Achei “Leite derramado” à altura do melhor que Chico Buarque tem escrito, embora, de todos os seus livros, continue a preferir “Budapeste”. A meu ver, a grande renovação operada por Chico Buarque deu-se ao nível da linguagem: o vernáculo toma o seu lugar ao lado do coloquial.

Em vários textos do livro, o senhor é crítico a figuras políticas: George Bush em 18 de setembro de 2008; Berlusconi em 19 de setembro de 2008 e em 13 de março de 2009; José Maria Aznar em 22 de setembro de 2008; o papa Bento XVI em 9 de outubro de 2008; Sarkozy em 6 de janeiro de 2009; e a própria "esquerda" é alvo de críticas em 1 de outubro de 2008. Mas há também textos esperançosos, sobretudo em relação à eleição de Barack Obama. Só que eu não me recordo de ter lido nada específico sobre o governo do Brasil. O que o senhor acha do presidente Lula?

SARAMAGO: Acho que o presidente Lula tem feito um excelente trabalho neste segundo mandato se aceitarmos como inevitáveis certas “infidelidades” ao seu programa inicial.

No dia 16 de novembro de 2008, o senhor escreveu, ao completar 86 anos: "Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tonou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado". O senhor acha impossível ser surpreendido por alguma entrevista hoje? O jornalismo contemporâneo teria se tornado esse mar de obviedades? Existiria alguma pergunta que o senhor espere (e gostaria que) fosse feita, mas que nunca foi feita?

SARAMAGO: Creio que me fizeram todas as perguntas possíveis. Eu próprio, se fosse jornalista, não saberia o que perguntar-me. O mal está nas inúmeras entrevistas que tenho dado. Em todo o caso, tenho o cuidado de responder seriamente ao que se me pergunta, o que me dá o direito de protestar contra a frivolidade de certos jornalistas a quem só interessa o escândalo ou a polêmica gratuita.

Mesmo após a publicação do livro, o senhor segue atualizando seu blog. O senhor tomou gosto pela coisa? Pretende seguir ocupando esse espaço indefinidamente? Podemos esperar um “O caderno II” para breve?

SARAMAGO: Haverá um “O caderno II” ainda este ano, mas não me vejo a escrever blogs indefinidamente. Tem sido uma boa experiência, chego a mais leitores com mais rapidez, mas tudo acaba por cansar.

Ainda nos textos recentes do blog, no dia 13 de julho o senhor escreveu um post muito afetuoso sobre sua alegria em ser escolhido acadêmico correspondente da Academia Brasileira de Letras. Por que o Brasil é tão importante para o senhor? Qual sua memória mais antiga do país?

SARAMAGO: O Brasil é importante para qualquer português. Gostaria de nos ver mais unidos a trabalhar em assuntos de interesse comum, mas as políticas nacionais nem sempre se inspiram nas melhores razões. É uma pena que assim seja. As minhas memórias mais antigas são as da literatura, os nomes e as obras de Machado de Assis, Manuel Bandeira, Jorge Amado, João Cabral de Mello Neto, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos — tantos e tão grandes escritores, estes e outros, que fizeram da literatura brasileira um tesouro inesgotável.

Um documentário sobre sua relação com sua mulher, Pilar del Río, está sendo realizado, não? Em que fase está a produção? O senhor sempre me pareceu uma pessoa reservada em relação a sua intimidade, então por que aceitar que filmassem parte de sua rotina conjugal? Como foi abrir sua intimidade para uma equipe de filmagem? A proximidade com a câmera incomodou, provocou constrangimentos?

SARAMAGO: O documentário está na última fase da produção, é mesmo possível que o filme possa ser visto ainda este ano. Quanto ao resto, continuo a ser uma pessoa reservada. É certo que a abordagem escolhida aflora o delicado território dos sentimentos, mas sempre com discrição, a mesma que carateriza a nossa forma de viver. Quanto a isso da “rotina conjugal”, confesso que não sei exactamente de que se trata...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um breve Saramago


José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi um escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.
Nasceu no distrito de Santarém, na província geográfica do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
Onde Faleceu em 18 de junho deste ano.Deixou uma vasta herança literária à lingua portuguesa e breve irei falar mais um pouco sobre ele...Até mais

sexta-feira, 26 de março de 2010

Estamos por um fio?

Estava em casa num dia desses e em um canal da paga estava passando o filme "Por Um Fio", que tem como personagem principal Stu(Colin Farrel) que é um Públicitário ruim e pouco confiável,por dar informações erradas para a imprensa e também por enganar sua esposa e sua amante.
Um dia como qualquer outro ele se depara com sua pobre mazela feita por seu caráter vicioso.Ele se encontra num lugar tão comum e tão novo que o leva a pensar sobre todas as suas ações até aquele momento.Ele atende uma ligação no mesmo lugar onde ele sempre liga para sua amante.Se vê diante de um assassino louco para travar com ele o embate mais ardiloso de sua vida;Ele mesmo.Na mira de uma Snipper ele se na obrigação de expor tudo que fazia durante tanto tempo pois as atenções começam a se voltar para ele que já estava por horas ali naquele orelhão e também com a morte que havia acontecido.
Então,Stu vê toda a "comodidade" que ele havia criado desmoronar e assim sua própria personalidade.O final do filme você pode conferir quando você assistir,mas outro personagem que sem ele o filme não seria o mesmo é uma frase que se encontra o tempo inteiro atrás de Stu enquanto ele está no orelhão:"Who you think you are?"(Quem você pensa que é?).
Por fim, peço pense se sua personalidade está por um fio na sua "comodidade" ou se a pergunta para você é :"Quem você pensa que é ?"
Ps:Está postagem foi sofrida,depois de tantos meses finalmente voltamos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pare




Pare um minuto e reflita antes de dar um passo.Lembre-se de como fazemos para atravessar a rua,olhamos para os dois lados e avaliamos se é o momento certo de atravessar.Qual das duas imagens você quer reproduzir na sua vida?A da pessoa que analisa com cuidado cada passo e tem segurança de dar o próximo passo ou a pessoa que atravessa de qualquer jeito sem medir as consequencias??
Pelo menos hoje PARE!!Pense!Ou você quer ser atropelado pela vida??